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A natureza do processo cicatricial é bastante conhecida dos médicos e as tentativas de manipulá-lo não chegaram ao completo sucesso de podermos evitar aderências com tratamentos medicamentosos. Por isso, pensando nos pacientes e custos sociais das reintervenções abdominais surgiram as películas anti-adesivas. Certamente, o cirurgião quando operar deve ter em mente que medidas “simples” podem minimizar significativamente estes riscos. Agora repassemos tais medidas:

  • Manipular o tecido com delicadeza evitando pinças esmagadoras ou manuseio extremado
  • A luva deve ser umidificada para a manipulação e aquelas que possam conter pó de talco, lavadas antes de entrar na cavidade abdominal
  • Procurar evitar ao máximo sangramento e realizar boa hemostasia antes de fechar
  • Escolher cuidadosamente os fios e materiais que serão usados. Alguns fios, assim como cotos longos de fio , determinam maior reação inflamatória. A decisão de usar dreno deve ser judiciosa e o tipo de dreno fundamental. Sugerimos preferência pelos de silicone.
  • Evite a desidratação tissular mantendo as compressas úmidas e ao lavar a cavidade peritoneal de preferência as soluções isotônicas ao peritônio.
  • Prevenir infecção, fístulas e dissidências.

Porém estas medidas não foram suficientes historicamente para evitar aderências com re-operações por obstrução intestinal ou o gasto de tempo quando re-operamos o abdome de alguém previamente operado e cuja lise de aderências pode levar mais tempo que a cirurgia propriamente dita. Em função de termos nos engajado precocemente no uso de películas (desde 1996), faremos uma revisão e depoimento do uso pela nossa equipe desta ultima película (Surgiwrap MR) que a nosso ver agregou as seguintes vantagens as anteriores:

  1. Variedade de tamanho: permite-me pedir uma película pequena para usar após correção de hérnia inguinal por videolaparoscopia. Isso diminui custo
  2. O manuseio desta película por ser mais consistente (variedade de espessura) permite a fixação com pontos impedindo o deslocamento e principalmente permitindo a obliteração de espaços. Por exemplo, temos usado após a cirurgia de exenteração pélvica posterior com histerectomia como forma de vedar o oco pélvico evitando uma hérnia perineal.
  3. Após a colocação da mesma é possível retira-la e recolocá-la sem que a mesma se fragmente, evitando a perda de uma película.
  4. O posicionamento nas videolaparoscopias é mais fácil face ao efeito memória da película.

Resumiriam nestes três pontos as principais vantagens por nos encontrada nesta película. A seguir faremos uma revisão de nossas principais indicações, pontuando que não achamos que esta película deva merecer uso indiscriminado, mas sim judicioso. Obviamente uso judicioso pressupõe avaliação caso a caso, mas em linhas gerais pacientes que farão cirurgias pélvicas em idade fértil; pacientes portadores de neoplasia que atualmente necessitam re-operações planejadas ou não; cirurgias ou patologias sabidamente geradoras de aderências como p.ex. colectomias e portadores de polipose familiar; para cobertura de telas mesmo tendo-se fechado o peritônio (julgamos que o risco de uma aderência de alça é grande e a complicação –fístula – tão grave que justifica o uso).

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Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 00:20
 

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